, ,

Não Julgueis

image
Pastor Jim Jones, que não foi "julgado" e nem avaliado pelos seus seguidores e outros evangélicos e por isso ficou livre para envenenar todos os seus seguidores, que morreram confiando na pregação dele que Jesus viria para quem tomasse aquele veneno, por isso tomaram veneno "ungido" e deram à força para as crianças, todos morreram.

Podemos avaliar (julgar) o que ouvimos de pastores famosos pela TV e pela internet?

Recentemente um showman da religião neopentecostal, o pastor Lucinho Barreto, foi duramente criticado porque cancelou um evento seu por falta de público. Uma das bem-humoradas críticas a esse showman foi numa imagem aonde colocava Jesus na parte de cima da montagem dizendo que aonde estivessem dois ou três reunidos em nome dEle, ali Ele estaria, e abaixo o Lucinho contestando o Mestre, dizendo: “Eu não!”.

Esse fato deu muita repercussão nas redes sociais, com muita gente especulando sobre as intenções do Lucinho ao realizar eventos, se era mesmo falar de sua fé e sua religião, ou apenas aparecer, ter audiência, ou ganhos financeiros. Com essas críticas, vieram os defensores fanáticos e intransigentes do pastor Lucinho, dizendo que não era permitido a ninguém julgar e avaliar as atitudes e intenções do seu líder carismático neopentecostal, pois Jesus teria proibido qualquer tipo de julgamento e avaliação sobre os líderes religiosos neopentecostais, ficando permitir somente avaliar e criticar quem discorda da pregação e atitude destes líderes, pois estes líderes seriam “homens de Deus” e tudo que eles pregam e fazem seria, para eles, algo vindo do próprio Deus, sem direito a questionamentos e contestação.

O que a Bíblia tem a dizer sobre isso?

Vamos lá:

Lc 12:57 E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?

Jo 5:39 Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.

Jo 7:24 Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça.

1Co 6:2 Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas?

A interpretação do “Não Julgueis”, que muitos evangélicos encaram como uma ordem de não contestar, não refletir e não avaliar o que ouvem, é bem furada e é anti-bíblica, pois, no mesmo capítulo aonde se diz para evitar julgamentos (Mateus 7), Jesus disse para evitar os falsos profetas e só é possível evitar os falsos profetas avaliando e julgando a pregação das pessoas, e assim identificando se ensinam a Palavra de Deus corretamente ou não.

O Lucinho e a maioria destes pastores famosos da TV e da internet não ensinam corretamente a Palavra de Deus. Se você conferir e comparar o que eles dizem com a Bíblia, vai ver que existem muitos problemas graves. Ninguém é perfeito e ninguém consegue entender a mente de Deus para interpretar com exatidão a Bíblia, por isso é nosso dever examiná-la com cuidado e interpretar com muita atenção também, usando a própria Bíblia para interpretar a Bíblia, conhecendo a história dos tempos bíblicos e da Igreja, e buscando iluminação sobrenatural do Espírito Santo, mas muitos não apenas comentem equívocos e erros pontuais (como pode acontecer com qualquer um, porque somos imperfeitos), mas eles distorcem a Bíblia e mudam a mensagem de Deus registrada nas Escrituras. Até porque, se não fizerem isso, de mudar a mensagem das Escrituras, dificilmente farão sucesso.

A Palavra de Deus ensinada corretamente só faz sucesso em lugares e épocas aonde há avivamento.. Fora isso, ela é geralmente impopular e desperta muita rejeição, porque ela condena pecados que as pessoas gostam de cometer, como ganância, egoísmo, indiferença, ambição, racismo, preconceitos, etc, e oferece uma Redenção que as pessoas acham que não precisam, pois se consideram “boas o bastante”, para necessitar de rendição e entrega de tudo que são e que tem a um Deus que, segundo a mentalidade carnal, deve tolerar, aceitar e fazer vista grossa com nossos erros, já que somos “cidadãos de bem”, ou “pessoas boas”. Só pelo toque do Espírito Santo que a Palavra de Deus pode ser crida e aceita, num processo aonde o pregador diminui e Cristo cresce, por isso a necessidade de muitos em distorcer a mensagem da Bíblia, e modificar a doutrina cristã bíblica e histórica, para poder fazer sucesso e ter aceitação popular sem a ação do Espírito Santo, mas por suas próprias habilidades de comunicação e visando sua própria imagem pessoal. Ou mesmo na melhor das intenções, de fazer o bem, mas sem conhecimento bíblico o suficiente para falar da mensagem e assim repassar distorções como se fossem verdade.

Então fica evidente, pelo conteúdo pregado pela maioria destes pastores e artistas religiosos midiáticos, que o que eles vendem em suas palestras e canções não condiz com o ensino dos Evangelhos, dos Atos dos apóstolos, das cartas apostólicas e do Velho Testamento.. E fica claro pelo tipo de marketing e propaganda usada por eles, que o objetivo deles é mais a popularidade pessoal, como vimos neste caso em que o Pr Lucinho Barreto cancelou um evento porque tinha poucos inscritos e não teria assim uma platéia dentro de suas expectativas pessoais, ou outros palestrantes, músicos e demais comunicadores do mercado cristão que se recusam a levar seu trabalho a lugares pequenos ou sem uma remuneração que banque suas vidas luxuosas e abastadas, como vemos de monte por aí entre nomes famosos no meio cristão que recebem um pomposo lucro financeiro através de seus “ministérios”, através dos valores exorbitantes cobrados por eles, que chegam até a usar títulos bíblicos ou religiosos, como “pastor”, “apóstolo”, “padre”, “missionário”, etc, para ter mais credibilidade e mais penetração no mercado religioso com o trabalho remunerado e nada voluntário deles entre os crédulos consumidores, o público alvo destes empreendedores..

Mas é só fazer uma avaliação bíblica do conteúdo pregado por eles que vemos que são, na verdade, os tais “falsos mestres” e “falsos profetas” que o Mestre profetizou que viriam, e o próprio Senhor Jesus que ordena que façamos essa avaliação dos que usam o nome de Jesus e a Bíblia como expressão de fé ou como material de divulgação de seus trabalhos para evitar quem dentre eles que não ensina a Palavra de Deus corretamente.

Isto é para todos, sem exceção que usam o nome de Deus. Inclusive esta página aqui deve ser julgada e avaliada da mesma forma. Ao seguir um falso profeta, a pessoa está desobedecendo a Jesus por ir pelo ensino de alguém que não prega a Palavra de Deus corretamente..

A questão de cobrança e rendimentos financeiros, um pastor pode sim ser sustentado por sua congregação ou pela oferta voluntária dos irmãos, e o sustento deve dar segurança financeira, se possível, aos que servem à comunidade e suas famílias, mas nem todas as comunidades cristãs têm essas condições de sustentar quem as serve, e mesmo assim estes servos de Deus e do próximo pela fé dão seu melhor e confiam ao Senhor o seu sustento. Quando a comunidade não pode bancá-los,  ou mesmo quando quiserem uma renda extra, podem sim trabalhar à parte e vender produtos ou serviços, como arte, livros, abrir empresas, assinar contratos, enfim, trabalhar com dignidade e lucro pessoal para ter renda, como fazia Paulo ao fabricar e vender  tendas como complemento de renda diante das ofertas que recebia, ou buscar contornar essa falta de rendimentos para que possa trabalhar e cuidar de sua família com segurança financeira, discutindo com a congregação alguma forma de remuneração, ou realizando palestras, venda de livros, trabalhos musicais, enfim, alguma atividade remunerada extra dentro do contexto religioso para aumento de renda, só que sem transformar isto num “ministério”, ou numa “mediação” entre Deus e os homens, ou em novas formas de venda de indulgências, porém buscando uma atividade remunerada dentro que ele sabe fazer, mas a partir do momento que um servo usa seu serviço religioso como trabalho secular e cobra cachê fixo para dar palestras e shows como meio de exposição de sua fé e dizendo que está exercitando um “ministério”, ele já não está pastoreando, nem exercendo um ministério, é  apenas um trabalho secular, mesmo que neste trabalho ele possa dizer o que acredita e expressar sua fé, como fazem muitos palestrantes, músicos e outros profissionais que vivem de um trabalho de comunicação e ainda testemunham sua fé quando podem. Isso não é pecado, mas também não é espiritual ou ministerial, é apenas um trabalho profissional secular como qualquer outro, mesmo que neste trabalho ele possa falar de Deus com Liberdade, mas se ele diz que é ministério e que Deus vai abençoar as pessoas se pagarem pelo trabalho dele, aí ele está revivendo a velha heresia das indulgências e nós, cristãos protestantes, somos totalmente contra isso..

Então devemos sim fazer as avaliações de tudo que lemos, vemos e ouvimos e após isso dispensar os conteúdos e profissionais que ofereçam uma versão distorcida da mensagem cristã, retendo somente o que é bom, ou seja, a mensagem original de Jesus.

Comentários

Deixe uma resposta

Loading…

Comentários

O QUE VOCÊ ACHA?

0 points
Upvote Downvote

Total votes: 0

Upvotes: 0

Upvotes percentage: 0.000000%

Downvotes: 0

Downvotes percentage: 0.000000%