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Lei e Evangelho

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Existe uma urgente e necessária separação entre Lei e Evangelho, que é a suprema arte da vida cristã que a maioria das pessoas não se atentam, mas acabam fazendo isso mesmo que inconscientemente.

A Palavra de Deus é dividida em Lei e Evangelho. A primeira parte da doutrina de Deus é tudo aquilo referente às exigências, ameaças e consequente condenação por não realizar o que somos exigidos por Deus a fazer, trata da LEI, ou seja das obras que somos orientados e cobrados a fazer, essa Lei é resumida primeiro em dez mandamentos, que incluem não adorar outras coisas como adoramos a Deus, não dar falso testemunho, respeitar pai e mãe, tirar um dia de shabbat (descanso e adoração a Deus), qualquer dia, não seguimos as leis de Israel, então não precisa ser um dia específico com regras cerimoniais específicas para este dia, pode ser qualquer dia para o corpo descansa do trabalho e a alma descansar em Deus indo participar da comunhão cristã e dos sacramentos, e outros mandamentos que resumem as exigências de Deus. Jesus resume esses mandamentos em dois: Amar a Deus acima de tudo, assim não vamos idolatrar nada, nem usar o nome dele em vão, vamos parar um dia da semana e ir adorá-Lo, etc; e amar o próximo como a nós mesmos, assim vamos ser solidários, generosos, não vamos roubar, mentir, etc.. E nem você, nem eu conseguir seguir isso como devemos. Se a doutrina de Deus fosse só isso, estaríamos todos perdidos. Mas graças a Deus há outra parte também.

A outra parte da doutrina de Deus é tudo aquilo que Deus faz por nós, as boas notícias de salvação, as bênçãos espirituais, o enorme Perdão dos pecados que está disponível para o que crê, o cuidado de Deus em todas as áreas de nossa vida, a graça e a fé dada por Deus a pecadores como eu e você, pois se trata do EVANGELHO, que são as boas notícias de Deus vindo até nós sem que tenhamos feito nada por merecer; pelo contrário. Ele nos dá suas bênçãos pela graça (favor não merecido) disponível por meio da fé em Jesus Cristo e nos ensinamentos dele.

Uma coisa perde o sentido sem a outra. Não se pode entender o Evangelho sem entender a Lei, sem entender que falhamos ao fazer o que deveríamos fazer e não fazemos, então entendemos o porquê merecemos a condenação e assim o Evangelho da salvação vem para aliviar nossa realidade e nos transportar para uma nova realidade, não mais de condenação, mas de salvação. Assim tb a Lei sem o Evangelho só produz a morte e condenação, não há esperança na Lei, somente no Evangelho, porém há orientação justa e correta que não conseguimos cumprir, então a Lei aponta o Cristo revelado no Evangelho, sem esse apontamento, ela não tem valor algum na pregação do crente.

Quando nós priorizamos o Evangelho em nossas palavras e obras, e buscamos fazer as pessoas entenderem o que Deus é capaz de fazer por elas, somos “evangelistas”, quando priorizamos as Leis e regras que Deus deu e como elas não são cumpridas somos “legalistas”.

Ser legalista e evangelista são coisas comuns aos cristãos.

Temos que ser justos e nossa justiça é o Senhor, então precisamos ser “legalistas”. A Lei de Deus não nos orienta a forçar nossas regras e nossa fé aos outros, por isso não é bíblico querer forçar isso na vida familiar, na vida social ou na política; devemos manter nossa fé em todas as esferas da nossa vida, mas a Lei de Deus tb exige o respeito com o próximo, independente de ele ter a mesma fé ou seguir as mesmas leis ou não que nós, não é nosso dever instaurar uma “teocracia” em cima dos outros, mas a nossa teocracia, em Jesus, é espiritual. Mas, lembrada esta ressalva, não abrimos mão das regras e orientações que Deus nos dá na Bíblia na hora de resolver impasses, evitar problemas e consertar o que está errado. Com a Lei podemos ser justos e temos a orientação certeira para praticar as boas obras que Deus quer de nós. Nós não cumprimos, somos pecadores, mas estão lá para nos orientar a fazermos nosso melhor, pelo amor que temos pelo nosso Criador e Salvador.

O problema é quando ficamos só no legalismo, por isso a palavra “legalismo” tem hoje esse significado tão ruim, pq só Lei, sem compaixão, sem perdão, sem misericórdia, sem o amor que é o cumprimento da Lei, então a letra da lei é morta e nada faz em nós. Mas ao frisamos no Evangelho a Lei faz sentido e nossa nova natureza transformada nos faz querer seguir as boas e justas orientações da Lei, que aponta para o amor e a vida, não para a letra e a morte..

Legalismo mata! O Evangelho dá a vida!

Comentários

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    • Sou um eterno aprendiz. Eu fiz esse texto baseado primeiro nas Escrituras e também em obras de Martinho Lutero, que tinha a separação da Lei e Evangelho como prioridade teológica para ele. Se você tiver outro entendimento, o espaço está aberto para sua apresentação.

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