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Cachorros, chineses e ateus

cachorros-chineses-1Um texto de Wagner Agnello.

Há algumas semanas atrás, fui surpreendido com uma notícia que relatava o uso de carne de cães capturados nas ruas para o preparo de comida em lanchonetes chinesas. Confesso que fiquei cético quanto à legitimidade da notícia, uma vez que a recebi pelo Facebook e que todo mundo com um pouco de miolos sabe que o mesmo já virou um grande disseminador de factoides, os quais ganham adesão fácil de muita gente. Ao revirar a internet em busca de fontes que fossem mais confiáveis, qual não foi minha surpresa ao constatar que a nova era verdadeira, porém com um agravante que por si só era muito pior que o uso do “melhor amigo do homem” para fabricação dos lanches: a exploração de trabalho escravo!

Em uma das páginas de minha pesquisa, vi manifestações sérias de sinofobia (aversão a chineses) que iam de acusar os chineses de sujos até incentivo ao linchamento e à morte dos mesmos. Não pude conter a alusão ao antissemitismo na Alemanha nazista. É claro que em proporções bem desiguais e situações muito diferentes, mas o gérmen era o mesmo. Percebi que a revolta era muito mais pelos cachorros mortos que pelos trabalhadores explorados (que eram chineses).

Não muito tempo depois, duas postagens no Facebook me surpreendem: a de um ateu propagandeando que, a despeito do crescimento de evangélicos no país, os índices de criminalidade são alarmantes. A outra notícia era de uma pesquisa americana que dizia que um lar ateu seria um ambiente melhor para educar os filhos que um lar cristão, uma vez que a maioria das ocorrências de agressão física ou verbal entre crianças nas escolas pesquisadas eram deflagradas pelas crianças oriundas de lares cristãos. Segundo a mesma pesquisa, as crianças ateias seriam mais tolerantes com pessoas de orientações diferentes. Não que eu confie tanto nessas pesquisas, mas não deixam de ter algum efeito indicador de um fenômeno que esteja ocorrendo há algum tempo.

A princípio, os fatos não tem muita relação entre si, mas um olhar mais acurado poderia ser alvo da nossa reflexão enquanto cristãos e cidadãos do mundo e em especial do Brasil.

É, a meu ver, preocupante que algumas posições extremistas tenham ganhado tanto terreno na nossa sociedade ao mesmo tempo em que o Evangelicalismo ocupa cada vez mais espaço na vida social do brasileiro e eu vejo que, no caso dos cristãos, isso é menos efeito de uma determinada tomada de posição política do que da má interpretação do papel que o cristão tem na sociedade. É menos questão de ser de direita ou esquerda e mais questão de se refletir sobre os pilares da fé cristã que são o amor a Deus e ao próximo, os quais são inseparáveis.

Assim, vemos que muitos bons cristãos tem dado apoio a pessoas com posições extremistas que vão desde o exacerbamento da repressão até à pena de morte e ao linchamento, como defendido pela jornalista cristã Rachel Sheherazade. Estamos vivendo num tempo onde uma pseudopolarização política acontece e, de parte a parte, essas hostilidades só dificultam o diálogo. Acredito que esse é um momento crítico no qual o povo cristão pode fazer a diferença, não pela agressividade e ofensividade, mas testemunhando o diálogo e a tolerância.

Mesmo onde os princípios cristãos são ofendidos há que se buscar uma nova apologética que demonstre em termos mais práticos que retóricos, a utilidade pública desses princípios. Para isso é necessário que nossos púlpitos ressoem mais tolerância, mais diálogo, mais compaixão e mais perdão de modo a arrefecer os ânimos por demais aquecidos nessa nossa nação nos últimos tempos sem, contudo, perder a veemência na defesa pelos mais fracos, pobres e oprimidos, à imitação do exemplo do próprio Cristo. É preciso resgatar os atos de Cristo que enquanto enfático, foi sempre pela via pacífica que fez valer o seu discurso.

 

fonte: https://www.facebook.com/profile.php?id=100000274680660

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Written by Cleidson Almeida

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Servo de Deus, carioca, músico, tecladista da banda Evangellic, nerd, designer, louco por games e tecnologia