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Amores que não valem a pena

Fomos e estamos sendo condicionados a acreditar que temos extrema necessidade de coisas, experiências, pessoas e relacionamentos que, na verdade, não passam de meros desejos, em sua grande maioria, banais, que estão aí para servir a um mercado voraz e fortalecer uma cosmovisão que exclui Deus do mundo e relativiza tudo em favor de uma felicidade inalcançável e inexistente. De fato, esses desejos nada têm a ver com nossas necessidades reais, mas com uma doença contemporânea que vou ousar chamar de “superficialidade ilimitada”.

Vivemos uma interminável busca por experiências e sensações que, ao menos por algumas horas, anestesiem nossas angústias mais veladas e iluminem os escombros mais escuros do nosso coração.

Você já se deparou com amigos seus ou até com você mesmo tendo comportamentos como acabar de comprar um smartphone de última geração já de olho no próximo lançamento da marca? O que dizer, então, sobre entulhar o guarda-roupa de vestidos, camisetas, cintos, blusas, sapatos e toda sorte de artigos dos quais não temos a menor necessidade? E quantas vezes assaltamos a geladeira no meio da noite por mera gula sem estarmos com um pingo de fome? Essas três situações são simples exemplos de coisas que consumimos, mas não precisamos. Vivemos no mundo das sensações, estamos em busca delas todos os dias. Nos pequenos detalhes, alimentamo-nos delas e exatamente por isso não tenho medo algum de afirmar que estamos construindo nossa casa sobre a areia! Foi o filósofo mineiro Guilherme de Carvalho que, em uma de suas reflexões, fez a oportuna ponderação que a maior balada que existe hoje no planeta se chama nada mais nada menos que Sensation, interessante não?

Vejamos nossas práticas religiosas atuais. Temos, em grande parte de nossas igrejas, proposto um mero entretenimento ao povo, promovemos espetáculos que mexem principalmente com as sensações. As práticas vão desde conversas ao vivo com “demônios” ao uso de figurinos de super-heróis da ficção por parte de pregadores. Parece que perdemos a crença de que é desejo do Senhor salvar pecadores pela “loucura da pregação” simples do evangelho, como dizia o antigo apóstolo. Já não basta mais o Senhor ser o centro de nossas reuniões, temos dito ao mundo que Ele não é suficiente; sua simplicidade, amor, poder e sacrifício já não suprem mais nossa necessidade por experiências que nos causem arrepios, lágrimas e emoções à flor da pele.

Mas o que tudo isso tem a ver com o dia dos namorados?

O meio em que vivemos faz uma enorme e constante pressão sobre os solteiros, vendendo a necessidade desenfreada de se arrumar um namorado ou uma namorada. Infelizmente, nessa época a pressão aumenta, porém, o que não se é levado em conta em nenhum momento é que em grande parte das vezes a real necessidade do garoto ou da garota solteira passa bem longe disso. Não se deixe contaminar, não ceda a essas pressões. Como eu disse, temos sido condicionados a achar que precisamos de algo quando, na verdade, não precisamos. Estão vendendo-nos uma mentira e nós estamos comprando, e pior, estamos pagando um preço muito caro! Muita gente acha que a partir de uma determinada idade, o quesito namoro é obrigatório e que sem o namoro será impossível viver a vida de forma plena. Isso é uma falácia! Esse argumento parte de uma profunda desconfiança no caráter de Deus e no fato de que Ele é alguém a quem podemos chamar verdadeiramente de Pai. Se sua alegria, confiança e esperança não está primeiramente em Deus, algo está muito errado e com toda certeza ainda não é a hora de você encarar nenhum relacionamento. Você vai acabar colocando todos esses sentimentos e expectativas sobre um ser humano e ele, uma hora ou outra, vai te decepcionar, você vai perder o chão, sofrer e, acredite, não vai ser nada legal! Essa pressão que vem da família, dos amigos, da igreja e até de nós mesmos tem resultado em relacionamentos descartáveis feitos apenas para suprir nossas necessidades de sentir algo. Lembram-se das sensações? Essas decisões precipitadas em nada têm glorificado a Deus. Quantas vezes você já não testemunhou aqueles relacionamentos meteóricos que começam em um mês e terminam no outro? Talvez você mesma(o) que me lê seja um desses casos.

Jovens com pouco ou nenhum relacionamento com Cristo e pouco ou nenhum conhecimento de Cristo têm colocado a confiança e a segurança de suas vidas em uma outra pessoa e, por que não, na ideia de se ter outra pessoa. Não conseguem conviver em paz com a solteirice, descansados nAquele que é fonte de toda alegria e razão da nossa existência. Isso tem gerado gente frustrada e decepcionada. Há que se ter maturidade para encarar um relacionamento em que o fim último seja honrar a Deus. O ser humano é falho, e relacionamentos não são histórias perfeitas e coloridas como encontramos aos montes nas novelas e no cinema. Antes, são construções de vidas onde dois pecadores, cheios de imperfeições, buscam, acima de qualquer interesse, amar e honrar a Deus na pessoa do outro.

Você já se perguntou se antes de amar um namorado ou uma namorada você ama a Deus sobre todas as coisas, de modo que Ele seja o centro do seu relacionamento? Deus continuaria sendo Senhor e Rei da sua vida ainda que Ele não te desse alguém nesse momento? Já parou para pensar que a solteirice é um tempo precioso e que você não precisa ter pressa em abandoná-la? E em não se casar? Já parou para pensar nisso?! Já parou para pensar que relacionamentos infelizes deixam marcas profundas e que a escolha de abrir sua vida para alguém deve ser feita com todo cuidado e carinho possível? Você já se olhou no espelho e perguntou se está realmente convicto diante de si mesmo e de Deus em dar esse passo? Se sim, vá em frente e seja feliz! Se não, aperte o freio e repense suas atitudes. Submeta-se a Cristo, confie nele, não dê nenhum passo sem ter certeza de que Ele está na história. Não vale a pena arriscar seu coração, seu corpo, seu relacionamento com Deus e todas as implicações que isso traz para vida apenas por algumas sensações.

Que Deus nos alcance!

Autor: Lucas Freitas 

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